Fazer ou não fazer: decifrar o Código de Motivação





A análise desses dados revelou algumas percepções intrigantes sobre o mecanismo neurobiológico do processo de tomada de decisão.


O estudo destaca o papel que os receptores de dopamina desempenham na motivação e na tomada de decisões.

Por que fazemos coisas? O que nos convence a fazer um esforço para alcançar metas, por mais mundanas? O que, por exemplo, nos leva a procurar comida? Neurologicamente, a resposta está escondida no sistema de recompensa do cérebro — um mecanismo evolutivo que controla nossa vontade de trabalhar ou correr um risco como o custo de alcançar nossos objetivos e desfrutar das recompensas conquistadas.

Em pessoas que sofrem de depressão, esquizofrenia ou doença de Parkinson, muitas vezes o sistema de recompensa do cérebro é prejudicado, levando-os a um estado de menor motivação para o trabalho ou fadiga crônica.

Para encontrar uma maneira de superar os blocos comportamentais debilitantes, os neurocientistas estão investigando a "anatomia" do sistema de recompensa e determinando como ele avalia a troca custo-benefício enquanto decide se deve prosseguir com uma tarefa.

Recentemente, a Dra. Yukiko Hori, dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia Quântica e Radiológica, no Japão, juntamente com seus colegas, realizaram um estudo que respondeu algumas das perguntas mais críticas sobre a motivação de sistemas de recompensa baseados em benefícios e custos.

Os achados de seu estudo foram publicados na PLOS Biology.

Discutindo o que os levou a realizar o estudo, o Dr. Hori explica "Respostas mentais como 'sentir-se mais caro e ser preguiçoso demais para agir', muitas vezes são um problema em pacientes com transtornos mentais como a depressão, e a solução está na melhor compreensão do que causa tais respostas. Queríamos olhar mais profundamente para o mecanismo de distúrbios motivacionais no cérebro."

Para isso, a Dra. Hori e sua equipe se concentraram na dopamina (DA), no "neurotransmissor" ou na molécula de sinalização que desempenha o papel central na indução da motivação e regulação do comportamento com base na análise custo-benefício. O efeito da DA no cérebro transmite através de receptores da DA, ou âncoras moleculares que ligam as moléculas da Da e propagam os sinais através da rede neuronal do cérebro.

No entanto, como esses receptores têm papéis distintos na transdução de sinal da DA, era imperativo avaliar seus impactos relativos na sinalização da DA.

Portanto, usando macacos-macaque como modelos, os pesquisadores visavam decifrar os papéis de duas classes de receptores da DA — o receptor D1 -like (D1R) e o receptor semelhante ao D2 (D2R) — no desenvolvimento de motivação baseada em benefícios e custos.

Em seu estudo, os pesquisadores primeiro treinaram os animais para realizar tarefas de "tamanho de recompensa" e "tarefas de trabalho/atraso". Essas tarefas permitiram medir como o tamanho da recompensa percebida e o esforço necessário influenciaram o comportamento de execução de tarefas.

Dr. Takafumi Minamimoto, autor correspondente do estudo explica: "Manipulamos sistematicamente o D1R e o D2R desses macacos injetando-os com moléculas específicas de ligação receptora que amorteceram suas respostas biológicas à sinalização da DA. Por meio de imagens baseadas em tomografias pósitrons dos cérebros dos animais, a extensão das ligações ou bloqueios dos receptores foi medida."