Beta Bloqueadores podem reparar vasos sanguíneos malformados no cérebro



Os usos do propranolol, um bloqueador beta, incluem o tratamento de doenças cardiovasculares e condições, como pressão alta.


Propranolol, um beta-bloqueador comumente usado para tratar haemangioma em crianças e doenças cardiovasculares, também pode ser usado para tratar malformações cavernosas cerebrais, uma condição caracterizada por vasos sanguíneos neurais disformes.

Propranolol, uma droga eficaz contra haemangiomas infantis ("naevi de morango", semelhante a marcas de nascença), também pode ser usada para tratar malformações cavernosas cerebrais, uma condição caracterizada por vasos sanguíneos disformes no cérebro e em outros lugares. Isso foi mostrado por pesquisadores da Universidade de Uppsala em um novo estudo publicado na revista científica Stroke.

"Até agora, não houve tratamento medicamentoso para esses pacientes, então nossos resultados podem se tornar extremamente importantes para eles", diz Peetra Magnusson, do Departamento de Imunologia, Genética e Patologia da Universidade, que liderou o estudo.

Malformações cavernosas cerebrais (CCMs, também chamadas de angiomas cavernosos ou cavernomas) são lesões vasculares em vasos sanguíneos no cérebro e em outros lugares, causadas por alterações genéticas que podem ser hereditárias ou surgir espontaneamente. Hoje, uma operação para remover essas lesões é o único tratamento possível. No entanto, intervenções cirúrgicas no cérebro são altamente arriscadas. Uma vez que as malformações vasculares, aliás, se repetem na forma hereditária da condição, um tratamento medicamentoso para CCMs é urgentemente necessário.

Os usos do propranolol, um bloqueador beta, incluem o tratamento de doenças cardiovasculares e condições, como pressão alta. Mas também pode ser usado para tratar um haemangioma ("naevus de morango"), uma malformação comum dos vasos sanguíneos em crianças. Há alguns indícios de que a preparação pode funcionar contra os CCMs também.

O novo estudo é uma colaboração envolvendo pesquisadores da Universidade de Uppsala, da Universidade Sueca de Ciências Agrárias e, na Itália, do IFOM – Instituto FIRC de Oncologia Molecular e do Instituto Mario Negri de Pesquisa Farmacológica. Os pesquisadores têm investigado como o propranolol afeta o surgimento de lesões vasculares na forma de CCMs.

"Examinamos camundongos com malformações vasculares no cérebro – cavernomas ou CCMs, como são chamados – que correspondiam à forma hereditária da condição em humanos. Os ratos receberam propranolol em sua água potável, e pudemos ver que os cavernomas estavam se tornando cada vez menores. Os vasos sanguíneos funcionaram melhor também, com menos vazamentos e melhores contatos entre suas células", diz Magnusson.

A dose propranolol administrada aos animais foi equivalente à dose usada para tratar doenças em humanos. Usando um microscópio eletrônico, os pesquisadores foram capazes de estudar detalhadamente como a droga afetou os cavernomas.

Os resultados mostram que o propranolol pode ser usado para encolher e estabilizar lesões vasculares, podendo ser um medicamento potencial para o tratamento de CCMs.

"O que torna o estudo especialmente interessante é que, neste momento, na Itália, está em andamento um estudo clínico em que os pacientes de CCM devem receber dois anos de tratamento com propranolol. Durante esse período, eles estão sendo monitorados por meio de ressonância magnética dos vasos sanguíneos, para ver como as malformações estão se desenvolvendo", diz a professora Elisabetta Dejana, do Departamento de Imunologia, Genética e Patologia da Universidade de Uppsala e IFOM, na Itália.

Dejana lidera o grupo de pesquisa da Universidade de Uppsala, que tem trabalhado no novo estudo, e também está participando do estudo clínico em andamento na Itália.

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